Você me diz que eu te manipulei. Que você fez exatamente o
que eu queria porque foi manipulado por mim. Você espalhou coisas a meu
respeito que não são verdades. Você acredita piamente em ter sido um ventríloquo
em minhas mãos. Pobrezinho!
Eu realmente nunca pedi sua opinião não é? Eu nunca
perguntei pra você o que você achava e se você concordava. Eu nunca falei pra
você escolher pelo menos uma vez o programa do sábado a noite por que eu já
estava cansada de fazer tudo sozinha.
Pois é. Pobre criatura!
E o mais incrível: durante todo este tempo, você estava lá.
Você não foi embora. Até pra isso eu tive que tomar a atitude por não estar
aguentando mais. Até uma porta me daria uma resposta mais positiva do que seus
comportamentos robóticos e sem iniciativa.
Sim, a minha personalidade é forte. Aliás está aí algo que
você não tinha: personalidade própria. Sempre aceitava tudo, o que eu escolhia
estava bom. Nossa como você era bonzinho! Deus, como eu pude ser tão cruel com
tão santo ser?
Alguém que sempre teve postura e presença marcante, que
sempre me defendeu e que me conhecia como a palma da mão! Palma da mão tão riscada que mal se podem ver
as linhas da vida...
E claro, não posso esquecer-me de mencionar que você sempre
esteve lá quando eu precisei e que nunca necessitei carregar você e suas folgas
nas costas como se fosse um caramujo que carrega sua casa, e que isso nunca me
fez adoecer, afinal você sempre foi tão responsável e preocupado, meu completo
oposto obviamente.
É, mas o tempo passou. Mostrou quem era quem. E você, claro,
um pobre coitado testado e usurpado como um rato na caixa de Skinner...
É, um rato...
Acho que combina com você.
E se a carapuça servir, pode vestir!
Lorena D. de Mendonça

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