sexta-feira, 3 de maio de 2013

Molduras Moldáveis da Ironia





Você me diz que eu te manipulei. Que você fez exatamente o que eu queria porque foi manipulado por mim. Você espalhou coisas a meu respeito que não são verdades. Você acredita piamente em ter sido um ventríloquo em minhas mãos. Pobrezinho!
Eu realmente nunca pedi sua opinião não é? Eu nunca perguntei pra você o que você achava e se você concordava. Eu nunca falei pra você escolher pelo menos uma vez o programa do sábado a noite por que eu já estava cansada de fazer tudo sozinha.
Pois é. Pobre criatura!
E o mais incrível: durante todo este tempo, você estava lá. Você não foi embora. Até pra isso eu tive que tomar a atitude por não estar aguentando mais. Até uma porta me daria uma resposta mais positiva do que seus comportamentos robóticos e sem iniciativa.
Sim, a minha personalidade é forte. Aliás está aí algo que você não tinha: personalidade própria. Sempre aceitava tudo, o que eu escolhia estava bom. Nossa como você era bonzinho! Deus, como eu pude ser tão cruel com tão santo ser?
Alguém que sempre teve postura e presença marcante, que sempre me defendeu e que me conhecia como a palma da mão!  Palma da mão tão riscada que mal se podem ver as linhas da vida...
E claro, não posso esquecer-me de mencionar que você sempre esteve lá quando eu precisei e que nunca necessitei carregar você e suas folgas nas costas como se fosse um caramujo que carrega sua casa, e que isso nunca me fez adoecer, afinal você sempre foi tão responsável e preocupado, meu completo oposto obviamente.
É, mas o tempo passou. Mostrou quem era quem. E você, claro, um pobre coitado testado e usurpado como um rato na caixa de Skinner...
É, um rato...
Acho que combina com você.

E se a carapuça servir, pode vestir!
Lorena D. de Mendonça

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